quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sobre a Comissão da Verdade

Na semana passada, foi instaurada a Comissão da Verdade, com o objetivo de esclarecer os crimes com motivação política que aconteceram durante a ditadura militar no Brasil.

O objetivo da Comissão, promover a democracia no país, é válido.

No entanto, reconhecendo que minha visão é parcial e que eu devo, provavelmente, estar errado, eu me posiciono contra a Comissão da Verdade. Não contra a Comissão em si, mas contra o investimento de tempo, recursos e, principalmente, dinheiro em tal processo.

A Comissão averiguará crimes de desrespeito aos direitos humanos que aconteceram no passado. E as violações aos direitos humanos que estão acontecendo no Brasil todos os dias?

A minha posição é a seguinte: ao invés de investir recursos no que já aconteceu, por que não investe tempo e recursos em solucionar os problemas do presente?

Por exemplo, em março fui à Unidade Básica de Saúde para agendar uma consulta com um médico clínico geral. A resposta que recebi na UBS foi de que só haveria vaga para agosto. Esse é um exemplo de violação dos direitos humanos e, mais do que isso, constitucionais que acontece hoje.

Isso sem falar no transporte coletivo caro e de péssima qualidade, nas faltas de vagas nas escolas e universidades, nas pessoas que não têm casa, comida, remédio. Nas pessoas que já chegaram à uma idade na qual não deveriam mais precisar trabalhar, mas não conseguem ter direito à aposentadoria e, quando conseguem, é o valor em reais que a gente sabe que não é suficiente...

Na minha opinião, o governo precisaria investir mais tempo e dinheiro para resolver esses problemas ou, daqui a alguns anos, teremos que abrir outra Comissão para reparar tais violações que estão acontecendo hoje.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O que fazer quando o cachorro do seu vizinho chora às 6 da manhã?



Os meus vizinhos têm quatro filhos. Como se não bastasse, resolveram ter um cachorro, o Charlie.

O Charlie é um beagle lindo, mas que todos os dias começa a chorar às 6 da manhã e só para quando abrem a porta para ele entrar em casa. Assim, todas as manhãs eu tenho que aguentar pelo menos meia hora de choro.

Ele chora bem embaixo da janela do meu quarto. Enquanto os vizinhos ganharam um cachorro, eu ganhei um despertador. Só que é um despertador que toca antes da hora de eu levantar.

Como se não bastasse ser despertado, eu, que detesto ouvir choro de animais, fico tenso na cama.

Essa situação já vai para o terceiro mês. Imaginem três meses seguidos, 90 dias, tendo que acordar mais cedo e com um som que te deixa tenso.

Por favor, se alguém souber como eu devo proceder numa situação dessas, me aconselhe. Estou em busca de alguma lei que obrigue os meus vizinhos a respeitar o meu direito de dormir.

O Curupira paulistano no século 21

No começo do ano, estava conversando com o meu tio Duardo sobre a violência a que estamos sujeitos, no Brasil, hoje em dia. Todos os dias, são muitos os casos de assaltos e homicídios. Ao sair de casa, não sabemos se vamos voltar.

Ele me contava que, na época do meu avô, também era assim. As pessoas tinham medo de sair de casa encontrar uma onça pelo caminho. No tempo do meu avô, as pessoas tinham medo dos animais selvagens. Hoje, selvagem é o homem.

Mal sabia eu o destino que me aguardava!

Tive que descobrir que o homem, para além de poder se transformar em animal selvagem, também tem o poder de se tornar um personagem folclórico.

Isso mesmo.

Por estes dias, dei de cara com o Curupira paulistano do século 21!

Eu voltava da aula de espanhol, sentado no último banco do ônibus que descia a Rua Augusta em direção ao Centro, quando, de repente, escuto um barulhão no vidro, logo atrás da minha cabeça.

Eu estava falando com a Yumi por telefone e o feitiço do Curupira foi tal que a ligação até caiu.

Quando olhei para trás para entender o que tinha acontecido – zás! - lá estava ele, o Curupira, pendurado atrás do ônibus, gargalhando por ter me assustado.

Era um menino de rua, que se divertia ao assustar às pessoas.

Quando chegamos mais abaixo na Rua Augusta, em uma área na qual há alguns restaurantes com mesas na calçada, ele desceu do ônibus e não vi se chegou a roubar alguém, mas o vi desaparecer correndo em meio aos carros que cruzavam a avenida, sem se importar com o risco de ser atropelado.

Curupira não conhece farol vermelho nem outras normas que regulam o convívio social.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ferido

Tenho uma tia que fazia o meu pai de gato e sapato.

O meu pai, um português de "brandos costumes" como tantos outros, pacífico na maior parte do tempo, se deixava levar.

Minha mãe, uma vez casada com o meu pai, cortou esse ciclo. E, então, a minha tia que, se já não morria de amores pela minha mãe, passou a admitir que não gostava dela.

Há oito anos, como era importante para mim retomar o contato com a família do meu pai, convenci a minha mãe para passarmos o réveillon na casa dessa minha tia, que mora na praia.

Eu fui primeiro, no dia 24 de dezembro. A minha mãe chegou depois, no dia 29. Desde o dia em que a minha mãe chegou, a minha tia, maldosa, começou a cutucá-la e a falar coisas que a faziam sofrer. Não satisfeita, preparou uma emboscada para a minha mãe cair. Ela caiu e, assim, no dia 31 de dezembro, as duas começaram a discutir.

A minha prima veio me dizer que eu e o meu irmão éramos bem-vindos na casa deles, mas a minha mãe não o era.

Eu, que herdei o sangue português, mas ainda mais o sangue quente andaluz, respondi que eu não podia ser bem-vindo onde minha mãe não o fosse. Naquele dia, resolvi que nunca mais iria à casa da minha tia.

Por esses dias, resolvi visitar o meu primo, que já não via há seis anos. A minha prima me contou que o meu tio, uma pessoa muito engraçada, com quem aprendi a falar palavrões bem ditos, completos, como se deve ser, está doente. A minha tia, nos seus 80 e poucos anos, passa os dias a cuidar dele. A minha prima disse que ela sempre pergunta de mim e do meu irmão, e pede para que o meu primo nos venha visitar.

Então, pedi à minha prima para que ela diga à minha tia que sinto muita mágoa por tudo o que ela fez. Disse que só pretendia vê-la no dia do seu enterro.

A minha prima explicou que não valia a pena dizer isso para uma pessoa na idade da minha tia, que ela já mudou muito, que os valores mudam ao longo da vida etc.

Saí da casa do meu primo triste, mexido, emocionalmente sugado. Fiquei doente.

Estou pensando se me disponho a ir à praia visitar os meus tios. Como havia dito que não iria mais ali, pois não poderia ser bem-vindo, a visita teria um caráter de perdão.

No dia seguinte, comentei com a minha chefe que não estava bem. Sabiamente, embora sem saber exatamente do que eu estava falando, ela me disse que o que nos fere também é o que nos cura.

Parece que sim.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Estados Unidos, cenário de filme

Viajar pelos Estados Unidos é legal pois, de repente, você está em lugares que sempre viu em filmes. De repente, você está ali, se sentindo parte daquilo tudo. Principalmente quando estava nos museus, eu tentava imaginar aquilo tudo em movimento, como se tivesse vida, e a experiência era bem divertida.

Uma outra coisa que se sente quando se está nos Estados Unidos é o patriotismo que os americanos têm. Normalmente, nós costumamos achar esse excesso de amor pelo país ridículo, ainda mais se tratando dos Estados Unidos. No entanto, parece que essa percepção muda quando se chega ali.

Estando em Nova York, Manhattan, você pode pegar um barco para a Staten Island, passando bem pertinho da Estátua da Liberdade. Quando você chega na estação de barco, você vê uma bandeira enorme dos Estados Unidos.


Estação South Ferry, em Nova York
Foto: Leonardo Santos


A estação é limpa, moderna, bonita e organizada. O barco chama "Espírito da América" e é acompanhado por um bote da guarda costeira durante todo o percurso.


Bote da guarda costeira, que acompanha a travessia para Staten Island
Foto: Leonardo Santos


Tudo isso, de graça. Assim, sente-se a grandeza desse país. Não existe nada parecido no Brasil, ainda mais de graça. Isso é inimaginável por aqui e, acredito, contribui para formar o orgulho que os americanos têm por seu país.


Manhattan, vista de barco
Foto: Leonardo Santos


E assim se vai conhecendo os Estados Unidos, que costumamos ver em filmes. A famosa, colorida e radiante Time Square, mesmo com chuva:


Time Square, para mim sempre chuvosa
Foto: Leonardo Santos


A agitada 5ª avenida, com suas lojas famosas, igrejas surpreendentes e cafés com comidinhas gostosas.


5ª avenida, Nova York
Foto: Leonardo Santos


Os táxis e ônibus escolares amarelos:


Táxis amarelos em Nova York
Foto: Leonardo Santos


Ônibus escolar americano
Foto: Leonardo Santos


E, continuando na jornada de filmes e séries televisivas, chegamos ao prédio do jornal Daily News, de onde saía o Super Homem:


Daily News
Foto: Leonardo Santos


E ao Museu de História Natural de Nova York:


Museu de História Natural
Foto: outro visitante


Andando pelo charmoso bairro de West Village, também conhecido apenas como "The Village", temos o prédio onde vivia a Monica, o Chandler e o Joey, em Friends,




e também o Arco de Washington, que costumava aparecer no início de alguns episódios da mesma série:


Arco de Washington, no Washington Park, em Nova York
Foto: Leonardo Santos


E, como pensar em Nova York sem pensar na Brooklyn bridge?


Brooklyn bridge
Foto: Leonardo Santos


Eu, como bom turista, fiz questão de fotografar o Memorial de Lincoln, em Washington DC, apesar do mexicano que dividia quarto comigo no albergue dizer que não eram mais do que "monos de piedra".



Memorial de Lincoln, Washington DC
Foto: outro visitante


E quem também nunca pensou em um dia ver a Casa Branca, logo ali, na sua frente?




Em Chicago, cidade conhecida por sua arquitetura, podemos encontrar a Marilyn Monroe, com o seu vestido esvoaçante:


Chicago, vista do mar, ao anoitecer
Foto: Leonardo Santos


Escultura da Marilyn Monroe em Chicago
Foto: outro visitante


Bem como com esses caminhões que vendem amendoim caramelizado:


 Foto: Leonardo Santos


Para mim, uma das coisas mais legais de Chicago, como turista, foi ver o metrô, que passa por cima do nível da rua, no meio dos prédios:


Metrô de Chicago, passando entre os prédios
Foto: Leonardo Santos

Já em Vancouver, foi um prazer encontrar arquitetura e pessoas vestidas apropriadamente para um dia de frio e chuva. Posso dizer que é a imagem típica canadense que tenho na cabeça, embora saiba que as pessoas de lá são muito mais do que isso

 
Canadenses típicos segundo o estereótipo que está na minha cabeça
Foto: Leonardo Santos


Já em São Francisco, descobri que muitas ruas têm nome espanhol, como essa parte chic da cidade, que chama El Camino del Mar:


O chic El Camino del Mar, em São Francisco
Foto: Leonardo Santos


E, finalmente, com a ponte mais fotograda do mundo, a Golden Gate.

Golden Gate bridge, em São Francisco
Foto: outro visitante

E assim, divido com vocês, um pouquinho das minhas férias desse ano.

As origens do país: orgulho e preconceito

Parlamento de Québec
Foto: Leonardo Santos

Na viagem que fiz recentemente pelo norte dos Estados Unidos e pelo sul do Canadá, pude perceber que as origens indígenas por lá são muito valorizadas.

Se não são valorizadas, pelo menos não são renegadas, como acontece no Brasil. Uma estátua de um índio fica bem em frente ao parlamento de Québec, em lugar de destaque.

Pelo o que entendi, muitos franceses que viajavam para colonizar as novas terras do norte da América acabavam morrendo. Não morriam os que aceitavam tomar os remédios oferecidos pelos indígenas que ali viviam. Assim, o conhecimento e a generosidade dos indígenas foram fundamentais para a construção e desenvolvimento do que hoje é o Canadá.

Não vejo o mesmo nas terras tupiniquins. Aqui, os indígenas são vistos como primitivos e sentimos vergonha dessa nossa origem. No Brasil, tentamos esquecer ou omitir qualquer coisa que seja anterior à chegada dos Europeus, considerados (até hoje) mais desenvolvidos.

Me pergunto aonde essa valorização ou negação do passado pode levar.

Impressões de viagem pelos EUA

Quando cheguei em Nova York, fazia frio. Um frio do norte, um frio diferente do que faz no Brasil. Um frio mais frio. Me lembrei de um frio que já havia sentido e do qual não me lembrava mais e nem fazia questão de voltar a sentir.

Nova York tem ruas esburacadas, metrô cheio, lixo jogado no chão e poucas áreas verdes. Sai fumaça dos bueiros, que dá a impressão de que a cidade vai explodir a qualquer momento.

Fumaça saindo do bueiro em Nova York
Foto: Leonardo Santos

Em Nova York, há muita vida embaixo da terra, muita vida sem luz natural. Há galerias subterrâneas com muitas lojas embaixo dos prédios, verdadeiros corredores sem fim. Para mim, uma vida sem luz natural não é feliz.

As pessoas se esbarram umas nas outras e não pedem desculpa. Se você pede, não pedem desculpas. Logo percebi que nos Estados Unidos, não existe a fronteira do espaço pessoal que existe nos países do norte da Europa.

Chegando em Washington DC, achei as pessoas muito mais amigáveis do que em Nova York. Mas os ônibus são lotados de pessoas que ficam amontoadas na frente bloqueando a passagem para o fundo, onde há espaço. Além disso, as pessoas falam alto dentro do ônibus. Interpreto como desrespeito ao outro e ao espaço público. É como no Brasil.

Também não entendi o trânsito de Washington DC. Uma cidade tão pequena com um trânsito tão infernal, mesmo no sábado e domingo. E as buzinas… Era preciso buzinar tanto numa cidade tão pequena?

Lá, li a Declaração da Independência, a Carta da Liberdade e a Carta dos Direitos. Esses documentos afirmam que, nos Estados Unidos, todas as pessoas são iguais e recebem o mesmo tratamento. No entanto, no Instituto de Arte de Chicago, não pude visitar as salas onde estavam as pinturas impressionistas porque um grupo de pessoas muito ricas as estava visitando e elas estavam fechadas para eles. Logo, descobri que os Estados Unidos, como o Brasil, são uma mentira, onde as coisas que se escreve e se diz não são as que se pratica. Os Estados Unidos, como país, não “walk the talk”.

Porém, em comparação com o Brasil, nos Estados Unidos não se roubam flores. Por volta de agosto, assisti à uma reportagem sobre o roubo de flores dos jardins em cidades do interior paulista. Em Boston, as flores estão bem bonitas para quem quiser ver, nos jardins em frente às casas, com muros e portões baixos ou, simplesmente, sem muros e sem portões. Aliás, embora Boston tenha o pior metrô do mundo, ao ponto de eu ter passado a adorar a linha 3 do metrô de São Paulo, acredito que Boston seja o melhor lugar para se aprender inglês. Lá, falam um inglês bem pronunciado, um inglês gostoso de ouvir.

Eles também estão melhores do que a gente na tranquilidade para se andar na rua e para se ficar à vontade. O risco de assalto não é eminente, como é no Brasil, embora tenha sentido medo em Chicago e em São Francisco, cidades onde havia muitos pedintes, moradores de rua e drogados.


Tranquilidade em Boston
Foto: Leonardo Santos

Das cidades que visitei, Seattle foi a que encontrei as pessoas mais amigáveis dos Estados Unidos. Lá, parece que as pessoas estão mais relaxadas, a ponto do policial que faz o controle de passaportes no aeroporto ter dado uma risada daquelas bem gostosas ao ver alguns presentes engraçados que eu estava trazendo para amigos no Brasil. A Cari, uma amiga baiana que estudou comigo em Portugal, uma vez ganhou um chocolate de um policial da imigração inglesa. Acredito que a experiência de prazer tenha sido parecida pois, para mim, fazer um policial do aeroporto nos Estados Unidos rir, foi muito gratificante.
 
Tranquilidade em Seattle
Foto: Leonardo Santos

Também gostei da forma como as pessoas te dão informações na rua. Me pareceu uma forma de ligação, uma forma de demonstração de carinho, preocupação, humanidade. Acho que a palavra é solidariedade. Os americanos, nas ruas, te dão informações corretas e completas. Me pareceu que eles têm o desejo sincero de ajudar.

A verdade é que as pessoas foram muito mais gentis, cordiais e amáveis do que eu esperava. Se eu pensava que o americano era distante, esse estereótipo foi por água abaixo nessa viagem. Pude conversar com as pessoas dos locais e fui muito bem tratado por elas. Cheguei a almoçar com três jovens senhoras e a ser convidado para assistir à uma aula de dança na Universidade de Berkeley, perto de São Francisco.

domingo, 18 de setembro de 2011

Festa errada



Hoje entramos na festa errada.

Era aniversário de um aninho do filho de uma amiga da Yumi.

Quando chegamos no salão, demos uma volta procurando pelos pais, para cumprimentá-los. Não os encontramos.

Resolvemos sentar, pensando que logo eles apareceriam.

Veio a primeira garçonete nos oferecer pipoca. Não aceitamos.

Em seguida, veio a segunda, oferecendo bolinho de bacalhau. Como estava com mais sede do que fome, também recusei.

Foi aí que resolvi perguntar para a Yumi o nome da criança que estava fazendo aniversário. Ela me respondeu que era Henri.

Henri é nome de menino.

Então, mostrei para a Yumi que a mesa do bolo tinha a decoração toda cor-de-rosa, e também as bexigas na decoração.

Fui confirmar o endereço do salão com a recepcionista. Estávamos no endereço certo, mas na festa errada.

Voltei para a mesa, onde a Yumi estava me esperando. Uma das funcionárias do salão já havia vindo dizer para ela que a mãe da aniversariante havia dito que não nos conhecia.

Estávamos na festa errada!

Como o endereço era o correto, me perguntei se estávamos no dia errado ou na hora errada (considerando que esses salões costumam fazer mais de uma festa no mesmo dia).

Foi aí que a Yumi ligou para a amiga dela, mãe do aniversariante, e descobrimos que havíamos recebido o convite com o endereço errado!

sábado, 6 de agosto de 2011

Ganho: inverno

Ainda no balanço dos ganhos e perdas de ter voltado a viver no Brasil, um dos maiores ganhos é o inverno - ou a ausência dele.

Os invernos em Portugal eram intermináveis... Em 2010, praticamente não houve primavera, passamos do inverno para o verão, lá para maio. Imaginem sete meses seguidos de frio, sem um dia mais quentinho.

Me lembro bem do sentimento de um dia bem frio, em que eu estava descendo a rua da minha casa em Coimbra para ir para a faculdade e pensando que não queria aquele frio para a minha vida. Que bom que eu voltaria para o Brasil!

Apenas para confirmar. Estamos no inverno em São Paulo e até hoje tivemos, no máximo, umas duas semanas e meia de frio. Hoje, por exemplo, faz 25ºC e estou de bermuda e t-shirt. Ontem, na hora do almoço, estávamos sentindo muito calor.

A ausência de inverno é, sem dúvida, uma das coisas boas de viver no Brasil.


Foto: Leonardo Santos

domingo, 31 de julho de 2011

Um ano de volta

Vizinhança
Foto: Leonardo Santos

Hoje, faz um ano que voltei para o Brasil. Tentei escrever um texto com perdas e ganhos nesse ano, mas isso se revelou uma tarefa muito difícil.

Pude rever os meus amigos brasileiros, e descobri a solidão estando perto de todos eles. Senti, por diversas vezes, que os meus amigos mais próximos atualmente estão em outro continente, e passei a ter saudades deles. No entanto, sei que essa saudade é de um tempo que já não volta mais, uma vez que os amigos já não estão mais nos mesmos lugares.

Consegui um trabalho em uma boa empresa. Isso me fez perceber que estava preso por prazo indeterminado à uma situação e, para piorar, em São Paulo - essa cidade tão cinza, suja e poluída - o que me deixou verdadeiramente deprimido.

Por diversas vezes, relembrei que o brasileiro não respeita os outros. Isso aqui é terra de ninguém, onde o desrespeito é quase absoluto.

Em um ano, sofri duas tentativas de furto e assalto, sendo que uma delas foi bem sucedida.

Para além do Rio de Janeiro, que fui três vezes à trabalho, pude viajar para Florianópolis e para Fortaleza, cidades que ainda não conhecia.

A independência que eu tinha conquistado foi-se embora. Já faz um ano que não cozinho, não limpo a casa, não lavo nem passo roupa. Por outro lado, ganhei o conforto da proximidade e proteção da família que - é verdade - não tem preço.

Também sinto que ganho em estar no Brasil, sendo este o meu país, num momento em que o mundo todo está voltado para cá. As melhores universidades do mundo têm olhado para o Brasil nos seus cursos de negócios e temos recebido muitos estrangeiros que vêm para trabalhar.

Perde-se em contato com a natureza. Mas isso é algo para logo mais se rever.